sexta-feira, 30 de julho de 2010

O banquete

O outro me pergunta:
Quem é você?


Eu?

(há tensão no olho alheio)

Não, sinto muito. Não sou formadora de opiniões. Não sei teorizar o amor.

(Sou mastigada por ele)

Poeta. É só o que eu desejo ser.



(SC, 15 de Outubro de 2009)

SEU OLHAR

Não sei porquê
hoje me deu saudades de você.
Em você, sinto um começo oculto,
uma magia de sentidos que floresce dentro de mim
e acompanha o chegar da primavera.
possa ser que voce seja maior do que qualquer coisa que eu já vi dentro dái,
mas o que realmente importa hoje é ficar sentada na minha janela,
ver o mundo daqui.
Sinto em você receio,
pelas coisas que não creio.
mas o que importa realmente é que o que vejo em voce,
e é só seu olhar.
menina deve dançar, decobrir sua saia que vai gingar
por cantos outros, cantos um,
meu canto.
o céu está sereno hoje,
ficaremos em paz.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Tempo e o Vento

Ponderar a exigüidade da vida cabe nos momentos em que percebemos a beleza e singularidade de determinadas situações. Principalmente analisados os bons encontros, os grandes prazeres, as felicidades temporais que de tão boas extrapolam essa dimensão.

Podemos também desejar que o Tempo corra mais se algo nos inquieta ou esperamos com ansiedade por alguma situação, resposta ou alguém. Interessante, quanto mais velho ou diria vivido, mais paciência se tem, será que tem alguma relação com convivência na presença do Tempo.

Tanto passa o Tempo como passa o Vento, ambos não se deixam represar, são soberanos em suas condutas. De ambos, poucos sabemos, só sentimos e quando pensamos neles muitas das vezes já sofremos as suas ações. Quanto mais pensamos mais percebemos é claro, se pensamos no Vento o sentimos, se pensamos no Tempo observamos as suas ações próprias em nós e principalmente observamos nos outros.

Quando se é criança sobra mais Tempo para observar o Vento, então víamos o balanço das folhas, o deslocar das nuvens, os redemoinhos e temíamos os espíritos que o habitam (mito é claro), será? Bem, quando se cresce não sobra mais Tempo para olhar para o Vento e suas afetuosas carícias nos cabelos da palmeira, só percebemos, quando no Tempo penetramos e paramos apreensivos para sermos notificados, via veículo de informação de massa, das rebeldias com que o Vento se apresentou e danos causou, destruiu, molestou, será que ele estaria chamando a nossa atenção, senão para si quem sabe para outros fatos.

E o Tempo que faltou para observar o Tempo, corremos demais, trabalhamos demais, quando paramos e olhamos para o Tempo percebemos seu toque singelo e meigo em nossa pele, nossos cabelos, nossas forças, e, por consolo, nos entregamos a ponderar o que fizemos da vida e o que a vida fez conosco. Claro se tiver mais Tempo podemos até pensar em repensar a vida, usando melhor o Tempo.

Como é comum alguém nos dizer ou nós mesmos dizermos: Ah! Não tenho Tempo, ando tão ocupado!

Coitado, coitados de nós quando nos dermos conta que o bem mais precioso se esgotou e nós nem percebemos, por tão ocupados.

Uai! E tem jeito de fazer diferente, de não correr, de não trabalhar, tem jeito? Bem cada um que responda as suas indagações, eu vim só para provocar a arte de pensar. Mas, já que perguntei posso dar uns “pitaquinhos”... Acho que tem jeito sim e mesmo sem diminuir a carga a priori, talvez mudar o tom, o ângulo de visão, os amigos Renato e Almir, assim cantaram:

“Penso que cumprir a vida seja simplesmente: Compreender a marcha e ir tocando em frente. Como o velho boiadeiro tocando a boiada. Eu vou tocando os dias, pela longa estrada eu vou. Estrada eu sou”.

O Tempo é um bem precioso, talvez o mais precioso que temos, depois da vida, porque se não tivermos Tempo nada faremos, mas, administrar é preciso. O Vento? Ah! Outro bem precioso, quem mora em cidade quente é quem valoriza o irmão Vento.

Quando eu aposentar vou fazer isso e aquilo...e se não der?

Senhor Deus do Tempo e do Vento nos dê mais clareza para administrar melhor o nosso Tempo para observar tanto Vento como as coisas que andamos fazendo, Senhor, fazei de nós homens e mulheres que racionalmente passam pela vida sentindo o gosto de viver, saboreando cada momento com o saudável paladar de que nunca mais voltarão a acontecer da mesma forma, obrigado!

Um abraço forte e demorado!
Autor: José Raimundo de Assunção
Estudante de Filosofia EAD pela Unis - Sul de Minas

sábado, 24 de julho de 2010

florindo...



Por que você chora tanto
E sofre sem ter motivo?
Vai, deixa todo esse rancor pra trás
Que a vida vem sorrindo pra nós dois

Que bom ver você florindo
Desperta, cheia de luz e de verdade
Deixa fugir do seu peito
Essas marcas de um passado que só vão te magoar

Por que você chora tanto
E sofre sem ter motivo?
Vai, deixa todo esse rancor pra trás
Que a vida vem sorrindo pra nós dois

Que bom ver você sorrindo
Desperta, cheia de luz e de verdade
Deixa fugir do seu peito
Essas marcas de um passado que só vão te magoar

Paixão,

Quem quer viver bem no presente encontra o seu lugar
Seu lugar nos braços do sossego
Enquanto uns dizem que o tempo não pára
Outros dizem que o tempo
Não passa de ilusão, ilusão

Deixa estar, que a vida é mais sábia
Cada coisa tem seu tempo
E esses pensamentos
Não passam de nuvem rasa
E todo esse sofrimento
Não pertence à sua casa
Cesso esse tormento,
Enxugo todo seu pranto
Com a força e com o sentimento
Que carrego no meu canto


letra de Mariana Aydar

terça-feira, 20 de julho de 2010

aves

http://noticias.uol.com.br/ultnot/bichos/album/avistar2010_album.jhtm?abrefoto=30

domingo, 18 de julho de 2010

só temos pratos para dois

cante o seu encanto que é pra se encontrar

aprendi a fazer ignorar as coisas que não me movem
jogar de um jeito que não te incomode.
gostar do quem vem pra dentro
percebi que sempre falo de coisas profundas, coisas que considero intensas, do coração.
possa ser que isso se funde com uma carência, uma vontade de mudar.
aquilo que nem sempre sei falar
não sei se posso tomar liberdade, não sei bem até que ponto o meu chegar mudam com as coisas que são.
gosto de falar porem não sei dizer.
pensar é fácil.
não sei até que ponto isto é amargo, isto é correto.
mesmo assim, não consigo parar de repetir.
o meu intenso é quando.

sábado, 17 de julho de 2010

o sono

sinto essa melancolia louca,

de querer me expressar mais do que falar, querer viver, de querer ser 'seu', ser do mundo.

é importante, intensificante a conectividade que sentimos com ele.

se não for com aqueles que te aproximam, te gostam,

são com pessoas reias, pessoas do mundo e de todo o cotidiano dele.

que penso,

no mundo.

viver?

assim sem vontade de próximo não me parece ser assim tão fácil.



a vida seria fácil com borboletas dançantes.

no mundo,

todo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

carta à um relacionamento des conhecido



queria me entender,
sem que isso se perca por querer entender você.
eu gosto do novo, sempre gostei.
acho que isso pode ser na verdade uma capa que me faz não ver as coisas, realmente
profundo.
honestamente, tenho medo do que pode ser
tenho medo de envolver, sempre tive.
medo de me enganar,medo de achar entender e achar tudo errado.
medo de não saber.
isso me faz me sentir impotente
diante de você e diante de todo mundo ao meu redor.
eu gosto de saber, de descobrir as coisas. desde sempre foi assim.
possa ser por isso que certas horas me sinto perder em uma arrogância.
que medo.
me descobrir é louco,
é tudo tão contraditório, tão doido.
tem horas que canso não saber o que será.
tem horas que quero mesmo é um colo que saiba me achar
se achar
achar junto, em mim, em você.
que medo.
e temo ainda mais. temo ver nisso a visão de nada
a falta da visão que um dia queria que colocassem em mim,
por querer ver, verbo pessoal, não estar com o outro, vendo.
amo viver, mesmo que seja na melancolia critíca das coisas.
estar à descobrir.

tanto?

sempre.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

o rato e a comunidade



5

A mulher que escolhemos, a única e não outra
Dentre tantas que habitam a terra triste,
Esta mesma, frágil e indefesa, bela ou feia,
Eis o mundo que nos é de novo apresentado
Por intermédio de uma só pessoa.
Esta é a que rompe as grades do nosso coração,
Esta é a que possuímos mais pela ternura que pelo sexo.
E nada será restaurado no seu genuíno sentido
Se a mulher não retornar ao seu princípio:
É a máquina instalada dentro dela que deveremos vencer,
Quando esta mulher se tornar de novo submissa e doce,
Os homens pela mão da antiga mediadora
Abrirão outra vez um ao outro os corações que sangram.

(...)

3

Entretanto cada um deve beber no coração do outro.
Todos somos amassados, triturados:
O outro deve nos ajudar a reconstituir nossa forma.
O homem que não viu seu amigo chorar
Ainda não chegou ao centro da experiência do amor.
Para o amigo não existe nenhum sofrimento abstrato.
Todo o sofrimento é pressentido, trocado, comunicado.
? Quem sabe conviver o outro, quem sabe transferir o coração.
Ninguém mais sabe tocar na chaga aberta:
Entretanto todos têm uma chaga aberta.

(Murilo Mendes, O Rato e a Comunidade)

direitos autorais da foto e da energia branca: a irmã, a Tamara.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Arte de amar





Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.



Manuel Bandeira

segunda-feira, 5 de julho de 2010

domingo, 4 de julho de 2010

travesseiro das palavras

A Arte de Desencantar

Tudo nasceu do olhar indireto entre eles—ele não via que ela o mirava através das lentes sujas. Ela nem sabia que ele a olhava pelo opaco líquido sobrando dentro do copo. Estavam ambos perdidos em noite suja. Não a noite de Plínio Marcos. A sujeira da noite dos dois era puramente lírica---amores mal resolvidos, livros nunca escritos, punhos que não foram cortados por conta de outros amores, estes, mais avassaladores.

Apesar de não saberem que se viram antes do momento-agora, sentaram-se à mesma mesa, sincronizados. Ele não a convidou nem ela se ofereceu ao encontro. Aconteceu. Ela tirou as lentes e ele moveu o copo para o lado. Ele cruzou a perna em direção à ela, e ela respondeu o gesto virando o seu corpo para ele. Ele não notava que a desejava já, com as pernas. E ela, reciprocamente, com o corpo completo. Ficaram assim, fumando juntos, rindo juntos, se descobrindo juntos. O desejo entre eles era natural. Falaram dos casos mal resolvidos e dos livros. Tiveram vontade, mas faltou-lhes coragem de visitar os cômodos febris da memória, onde vivem os fantasmas dos que mereciam um ato estólido de amor.

Também falaram da infância... meu Deus, tão iguais. Da feiúra na adolescência e de ambos debandes. Beberam, fumaram, riram risos tímidos. A madrugada foi caindo pesadamente sobre a mesa, sobre suas pálpebras. Levantaram-se e caminharam lado a lado na mesma direção porque ele alterou o próprio percurso para que coincidisse com o dela. Ela vagarou o passo e ajustou-o ao dele. Depois foi só silêncio. E orvalhada.

Prometeram-se cartas e telefonemas, e só. Vê-la seria errar por completo. Ela queria tanto que ele garantisse um novo encontro. Pela primeira vez, discordavam. E daí pra frente foi só desencontro. Ele escrevia, não como deveria escrever quando se escolhe amar pela metade. Eram doces suas frases, como gosto da carne de um caqui onde já não há vestígios do sabor adstringente das frutas imperfeitamente amadurecidas. Ela respondia, quase rasgando os pulsos e deixando correr o sangue morno. Ele cantava para ela, mesmo desafinado. Ela pintava pra ele. E repintava insistentemente o mesmo objeto, não buscava o fim. Preferiam o futuro truncado. Ele, passava os dias sonâmbulo, distraído em delicadezas, ela galopava entre avalanches de sesações-memórias e desejos de Adão. Pela noite, ela não sonhava e sim acumulava pesadelos—ele se partindo ao meio, ela o costurando, ele sangrando, ela o secando. Quando ela finalmente sonhava, quisera avidamente serem estes os sonhos de premunição, ele não os via. Quando ele ligava, ela sempre ocupada. Quando ela retornava, já era madrugada. Ele, entocado e ela, coração avivado.

Até que um dia ele sumiu. Era um homem que acumulava nãos. Ela, que era toda sim, ainda escrevia, procurava. Ele? Ela já não mais sabia. Sentou-se à janela. Dia após dia, rescreveu os versos dele, a imagem dele, a voz dele—em páginas tristes, em telas virgens, em melodia de voz muda que corre desvairadamente dentro da cabeça. Na poeira acumulada no vidro, ela rabiscava o próprio fado. Depois apagava tudo. Esvaziava a alma. Miúdo, seu coração se encheu de revolta sem fim. Era fato: o mundo era repleto de meio-homens, minotauros dos tempos modernos, presos em seus labirintos de medo, cegos por suas fragilidades, devorando suas presas através da arte do desencantamento. Ela secou a cara, rasgou as cartas, cuspiu nas telas e apaziguou o próprio infortúnio prometendo a si mesma, ser mais sagaz. Escreveu outras estórias. Desde então passou a enxergar o outro cara-a-cara. Olho-no olho. Desde de o primeiro olhar.



(Simone Couto, 2009)

a la vonté




marisa e sua beleza é linda de se ver.


- O que me importa- Video Clipe Oficial

essas fotos do cotidiano, de uma viagem, fotos aleatórias da sua vida (dessa viagem, no caso), que se mostram o que o seu olhar um dia viu.
cazuza fez isso com a sua máquina quando estava fazendo tratamento lá nos exterior, a mãe dele conta isso no livro dele. como essa paixão pela fotografia começou quando ele conseguia 'congelar' o que um dia se viu.
adoro fotos, as fotografias no geral são uma coisa muito a la vonté, que só tendem a mostrar seu olhar.
isso por sinal me fez lembrar de um poema da Clara Canabrava, tem 33 anos e é poeta desde sempre.
me indentifico com o jeito que ela escreve, e o adoro, entre os seus sonhos e suas rimas. ela escreve num fluxo natural, sem mais nem caos.
quem sabe daqui uns bons meses de juntar grana não consigo comprar a minha máquina fotografica tão adiada.

por fim coloco esse poema tal citado ae da Clara, é grandinho, mas pra quem quiser se divertir sinta-se 'a la vonté' para ler, rs, vale a pena.

a la vonté

vida, um écran
keep walking, be a partner
ariano suassuna
sussura
wally salomão
um leão
cheio de mãos
adriana calcanhoto
calcanhar, inevitável rima
sutiã

escrevo
o que penso
se travar a língua
não sai rima imperfeita
fica tudo muito de direita
me irrita
falsa sabedoria
pedantes, pés atrás
quiçás podo o temor
nada escrevo de amor

penso na dor que deveras sinto
que deveras pessoa sou
quando vejo em pessoa, minha pessoa
ver tudo tão não pessoa, sendo tão pessoa
que impessoal


improvável?
mundo se encher de poetas
siris, siriemas, emas
poemas
fecundariam, brotariam
sem rima, com rima
sem gosto, com gosto
todo o mudo apareceria
disfarçado entre umas escritas e outras


aumentaríamos olhos
vendo desova de novas palavras
advindas das
centenas de milhões de léxicos
gerados de cada canto do planeta
e siriemassiris nasceriam


íris cor de mel
caetano
joão goulart
goulash
prato


passo minhas coisas a limpo
espanto o patatá do pititi do potoquó
quero virar vogais, entortar consoantes
dispenso coerência, linha de raciocínio
óleo de rícino, rio do rio
gosto do rio
de janeiro a dezembro


embrulho
o u
é feio, sozinho
nietzche se diz nitchi
prefiro essa pronúncia,
que ler zaraz........truta
truta, tra
tru, olha o u, de novo
invadindo meu espaço
intento, lamento
mas não ponho u agora
vê se cai fora


gosto é do a
achar
abóbora
a de amar
acho brega,
coisa de babá
e até mela
meia boca
caçar amor
com tanta poesia
posso tudo
beijing, beijar
umbigo, um beijo
te espero
sem lero
sed alguém
que mata minha sede
senão vou ver a ana
grama
amor em roma,
senão vou com omar passear
pertinho do mar
ar,
preciso
respirar mar
e
não mais te amar