domingo, 26 de setembro de 2010

domingo, 19 de setembro de 2010

o que ele não sabe sobre ela


- texto inspiradissímo e até com direito a algumas frases "roubadas" do meu novo blog favorito: http://calmila.blogspot.com
Nessas poucas semanas, podem ter ido rápido demais, ao invés de ter se descoberto aos poucos, mais lento ainda (o que provavelmente, se assim fosse, ela já teria caído fora). Aceleraram sem querer uma porção de passos e coisas e não se sabe definir até que ponto tal intensidade é boa, ou maléfica. Porém, ele não deve pensar que a ela já está totalmente na sua mão. Por nem um segundo, acredite que já a têm, e a sabe domar, ou até mesmo lhe dosar. Não. Há uma porção de verdades sobre ela que ele nem ao menos sonha, e virão à cena, mais cedo, mais tarde, ou nunca. Aqui. Nesses relacionamentos sem nome, não sabemos por que curso tudo caminha, e ela entra neste mundo sem dono esperando apenas ter a generosa oportunidade de deixá-lo descobrir todos esses caminhos. As pistas, algumas já estão postas, à espera.
Não passa pela cabeça dele os rituais que ela tem antes de dormir ou até mesmo a vontade que ela tem de deixar o cabelo crescer. Ou a sensação que lhe persegue certos dias de sufocar as pessoas, a coleção de badulaques sem nexo nenhum que guarda dentro de suas caixinhas. Mal sabe ele também que por trás da simpatia e dos largos sorrisos daquela garota mora a mulher tímida que nem sempre consegue manter seu contato com o mundo. Não sabe também da carência em suas entranhas que a faz confudir todo ou qualquer sentimento em amor. Ele disse que gosta do seu olhar, mas não sabe que por trás dele guardam muito sofrimento e muita amargura e que se indagar de (suas) coisas se tornou uma constante em todos os seus dias. Ele nem imagina o quanto a sua família é itelecto-jovial-enlouquecida, e fala alto, tem o sangue que(ferve)nte, age e depois se reprime. Já disseram, a família é o inferno de cada um. Ama todos seus quatro seres inexplicáveis, mas também (ela)eles lhe faze(ra)m passar vergonha, angustia em algumas ocasiões e que hoje optaram por não passar mais nada então. Apesar de tudo, são boas pessoas, e que ela tem consciência disso.
Ele a viu tomar banho, mas mal sabe ele as horas que ela passava nos seus banhos e os mundos imaginários que criava dentro dele ainda adolescente. Com o som ligado, sempre com uma rádio conhecida ou um CD de Marisa roubado da mãe, cantava, gritava, dançava, e até mesmo vazia uma festa repleta de convidados em suas horas de solidão no mundo. Ainda hoje, ele não imagina o prazer que ela tem em cantar uma música, ou até mesmo o prazer em que sente quando reconhece uma delas dentro dos seus arquivos mentais. Não sabe a vontade secreta que ela sempre teve de tocar algum instrumento seja gaita ou violão, ou quanto ela admira o dom do som, mas que sua desmotivação a deixou deixar pra mais tarde. Ele também não sabe porem já pode ter reparado como ela fica falante quando se depara com o silencio e quer falar tudo para que aquele momento não se torne algo constrangedor, ou até mesmo porque tem medo do que pode ter a vir. Não imagina que ela goste tanto de controlar as coisas, apesar de saber que fica mais transversal e aliviada quando passam eles pra alguém que acredita. Não sabe também a dificuldade/vontade que ela tem em colocar suas idéias em palavras, ou melhor, organizá-las antes sem que tudo saia como uma torneira de asneiras. Ela precisa constantemente de surpresas, porem por pouco nunca se sente assim, mas isso a move de um tanto que chega a ser um vicio rotineiro buscar motivos para se surpreender. Ele nem imagina que é com o cair da noite que ela encontra seu espaço de pensamento e que a luz do sol lhe abre um largo sorriso e uma vontade de correr por todo espaço. Ele também não imagina a vontade que ela tem de engolir o espaço, todo. Tão pouco sabe o prazer em que tem de (des)cuidar de seu canto, criar vertigens e coisas novas que encontra dentro de si quando se deixa notar. Não sabe a falta de valorização muitas vezes que ela se faz, por motivos talvez patriarcais, mas que se resume em uma constante apreciação de si mesmo. E que hoje essa final alegria de apreciação querer ser (si), assim como (só) ela pode ser se tornou uma coisa de extrema importância em sua vida, e alguém a compreender isso é fundamental e prazeroso para ti. Diz que gosta do seu beijo, mas não sabe ele, que pouco abaixo de seus lábios tem a cicatriz de seus dois dentes da frente, numa tentativa drástica que teve quando criança ao tentar imitar sua irmã ‘plantando bananeira’ na parede. Não sabe também todas as palavras minuciosas que ela guarda por trás de cada frase ou citação. Ele sabe que ela gosta do que é belo, da arte e do novo, mas não tem idéia a mistura de sensações que lhe corre as veias quando está encenando. Não sabe também do arrepio que lhe acontece toda vez que algo mágico lhe acontece, e do reconhecimento que ela tem de valorizar momentos que lhe tragam sensações assim. As coisas passam por ela muitas vezes despercebidas, contudo de tudo que acha que se mostra (apresenta), mesmo que seja deitada nua ao seu lado, sabe no fundo que não se mostra. E olha, quando se falam, ela sente sua falta e sente nele uma cumplicidade desde quando o conheceu que não sabe explicar. Ver-te ali, e não saber o que se passa, algumas vezes lhe dói, e sensível que é já chorou na dúvida e se deixou muito incomodar. Prefere tudo ao vivo, em cores, do que essa virtualidade toda, apensar de inúmeras vezes se deixar tentar por esta que não acredita certa. Depois de provar o maravilhoso, quem se acostuma com o mais ou menos? Não é a mesma coisa, e disso acha que ele também já deve saber se não, deve aprender. Vê seu romantismo em cada pequeno detalhe, como com carinhos e beijos de afeto, e não enxerga toda sua insegurança, e principalmente sua necessidade de ser cuidada por alguém e o seu maior anseio: que tudo vá, tão logo chegou.
E sabe que ela ama crianças, que esse talvez seja seu dom, mas nem sonha como lhe completa quando elas te dão um abraço e um beijo puro de sinceridade.
Mas nada disso é de se preocupar.Deve haver ainda tantas coisas que não sabem um do outro, e a ela só vai lhe caber pensar em quando isso tudo será revelado (ou não)mesmo com a sua mania de olhar pro futuro, mirar e ver, sonhar. Ah, isso ele também não foi apresentado ainda sobre ela.
Não é de se assustar.
É que com as falhas, abertas e expostas, nos acolhemos e encontramos realidade, onde tudo hoje parece tão vago e surrealista.



analiso cada pequeno detalhe
das urgências, respostas, canções
qualquer coisa que me revele e fale
dessas suas obscuras emoções
que não vejo com bola de cristal
sorrisos, terapia, mapa-astral
e me corrói por dentro, tal vulnerabilidade
queria o poder do invisível, ler pensamentos
se tivesse miraculosa habilidade
e um pouco mais de comedimento


Por Camila Paier

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

linha

Patrimônio histórico
história
homem, planeta
humanidade, pessoas
finalidade, arte
transversal
religião
manifestação
protesto, ameaça
defesa
sagrado, buscam
corpo
presença
vida, verdade
fato
relatar
saber, mídia
intenção, falar,
música
corpo
prazer, vontade
desejo
querer
saber,
conceitos
reprimido
conservador,
restos,
conservar
respeito
humanos,
verdade.


Sotaque,
mostrar,
o novo
pensar,
voz,
em nada,
respeito.
viajar,
chegar
saber
sentir
gostar
bisa
conseguir
entender
sossego ,
ser
você,
amor,
susto,
os outros,
também
consumo
representa,
serviços
representam
dinheiro
modelo
controle,
tática,
controlam,
decisão
reforma,
intenção,
coração,
discussão
prazer,
saber,
ativa,
corpo
verdade.

Palavras: Corpo, prazer, verdade, respeito, saber.

sábado, 4 de setembro de 2010

minhas cores

amanhã vou ver o sol dar sua luz
vou raiar o dia com alegria

as cores do meu pincel vão fazer arte de papel
vou juntar todos os panos
e fazer tudo de pouco

construir o meu mundo
num pedaço de madeira oco como Congo

tango

dançar nas luzes que me carregam em cores
colar o que falta por pouco
e juntar o que sobra de pior

gritar o meu som
no mudo
eu ouço minha voz

nada de verdadeiro
tudo dentro de mim
a verdade não basta

sem mão, eu vou pintar
vou colorir meus dias

e viver à bailar...