Rótulos, malditos rótulos!
pessoas pensam muito em se encaixar.
em uma frase qualquer,
uma idéia,
um partido,
um contexto,
um romance,
um lance,
um som,
gosto,
um posto.
assim param de pensar, não se permitem também, por si só.
claro que levando totalmente ao pé da letra, isso é impossível. já que somos seres totalmente vulneráveis as circunstâncias e meios em que vivemos. mas, enfim, existem coisas bem crédulas guardadas dentro de cada um, coisas muito consideráveis, viu. que vira e mexe esquecemos de levar em conta. pode parecer tolice compartilhar tudo isso, mas não, prefiro escrever mesmo.
Ah, se soubéssemos por certeza o felling que certas vezes nos direciona para as coisas pode sim ser certo e compartilhado com a certeza de outros. Compartilhado, repito.
sem arrogâncias pro meu lado, nem pro lado de ninguém.
não deixaremos que os rótulos, ou as pequenas diferenças não nos deixem ver o que está bem na nossa frente, o objetivo que também, muitas vezes pode ser o mesmo e nem nos permitimos ver isso. as coisas mais banais podem fazer seres e entidades tão similares se afastem tanto por falta de respeito. falta sim, falta de respeito por todos não serem iguais, serem sim: únicos e preciosos por si só.
Por favor, se permitam acreditar, levar pela força que leva dentro de você mesmo. Seus pensamentos mais profundos, o seu sentir.
Sentir.
não esquecendo de se permitir sentir os outros a sua volta, por que é claro que sentimos e sentimos que eles sentem também, muito! Levaremos em conta então.
me permitindo também, vou estar à me exercitar, cada vez mais.
mais, mais e mais!
Assim, o sorriso largo que invade o nosso rosto chegue a nem caber mais nele!
Grande busca, grande crença humana que levo dentro de mim.
e nós, seres humanos, somos mesmo assim: sempre buscamos mais.
não sou única nisso, creio em todos, creio que você também crê.
Deixe-se abrir, sem medo.
Vamos mundo, LIBERTE-SE!
terça-feira, 31 de agosto de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
nem fé nem santo
eu tô assim, sem fogo,
não quero jogo, nem competição
que o tempo aqui é cego, não vou ser prego da televisão.
eu tô sem fé nem santo, e peço tanto que me deixem em paz.
que o hoje em dia é quieto
já quis ser reto eu não quero mais.
vou caminhando,
vou vendo o sol se pôr,
eu vou na calmaria,
até onde eu não queria,
e vou andando,
vou vendo o sol e a cor,
já canso de apagar,
imploro pra poder voar...
caí assim, sem vontade,
pela metade
eu vivo a esperar
meu coração tá manso
eu só descanso e espero passar
não quero jogo, nem competição
que o tempo aqui é cego, não vou ser prego da televisão.
eu tô sem fé nem santo, e peço tanto que me deixem em paz.
que o hoje em dia é quieto
já quis ser reto eu não quero mais.
vou caminhando,
vou vendo o sol se pôr,
eu vou na calmaria,
até onde eu não queria,
e vou andando,
vou vendo o sol e a cor,
já canso de apagar,
imploro pra poder voar...
caí assim, sem vontade,
pela metade
eu vivo a esperar
meu coração tá manso
eu só descanso e espero passar
terça-feira, 17 de agosto de 2010
domingo, 15 de agosto de 2010
não gosto
não gosto de gente me dizendo o que fazer
não gosto de gente colocando ponteiro no meu relógio
não gosto de ouvir 'não' quando já pensei sobre o assunto
não gosto de sentir o que eu sei que não gostaria que sentissem por mim
não gosto da solidão do mundo
não gosto da insignificância que a humanidade se faz
não gosto de não me achar capaz
não gosto de suspeitar dos outros
não gosto de me sentir estranha
não gosto de ninguém me acompanhar
não gosto de saber que tem gente que não está feliz comigo
não gosto de não ser natural
não gosto de confusão
não gosto de tanta modernidade
não gosto de pessoas que julgam
não gosto do mundo não ser diferente
não gosto de esperar de você
não gosto de esperar de ninguém
não gosto de não conseguir manter constante o meu contado com o mundo
não gosto de não poder pegar na sua mão
não gosto de não gostar de qualquer coisa
não gosto
e pronto.
não gosto de gente colocando ponteiro no meu relógio
não gosto de ouvir 'não' quando já pensei sobre o assunto
não gosto de sentir o que eu sei que não gostaria que sentissem por mim
não gosto da solidão do mundo
não gosto da insignificância que a humanidade se faz
não gosto de não me achar capaz
não gosto de suspeitar dos outros
não gosto de me sentir estranha
não gosto de ninguém me acompanhar
não gosto de saber que tem gente que não está feliz comigo
não gosto de não ser natural
não gosto de confusão
não gosto de tanta modernidade
não gosto de pessoas que julgam
não gosto do mundo não ser diferente
não gosto de esperar de você
não gosto de esperar de ninguém
não gosto de não conseguir manter constante o meu contado com o mundo
não gosto de não poder pegar na sua mão
não gosto de não gostar de qualquer coisa
não gosto
e pronto.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Cultura
Arnaldo Antunes
O Globo: 26/07/2009
O girino é o peixinho do sapo.
O silêncio é o começo do papo.
O bigode é a antena do gato.
O cavalo é o pasto do carrapato.
O cabrito é o cordeiro da cabra.
O pescoço é a barriga da cobra.
O leitão é um porquinho mais novo.
A galinha é um pouquinho do ovo.
O desejo é o começo do corpo.
Engordar é tarefa do porco.
A cegonha é a girafa do ganso.
O cachorro é um lobo mais manso.
O escuro é a metade da zebra.
As raízes são as veias da seiva.
O camelo é um cavalo sem sede.
Tartaruga por dentro é parede.
O potrinho é o bezerro da égua.
A batalha é o começo da trégua.
Papagaio é um dragão miniatura.
Bactéria num meio é cultura.
12/08 tem show no Sesc Bauru desse gatinho aí
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O sono de Maria
Maria gostava mesmo é de amor.
Toda noite, Maria sentava em sua cama para ter sua conversa diária com a companheira de pano. Com um som que lhe agradava ao fundo, Maria contava os fios do bonito cabelo de lã de sua amiga caolha, um acidente com um brutamontes de quatro patas, mas isso não vem ao caso.
A moça, de pés e mãos já lavadas, entrava nesse novo mundo que lhe abria as portas ali, agora com o cair da noite. Os sonhos eram muitos, e nem Maria ou nem mesmo a pequena caolha conseguiam entrar num consenso sobre qual seria o escolhido da noite. Cercada por um padeiro, desenhos, cartões fotográficos colecionados e uma família de cangurus pelados, a confusa garota só sabia mergulhar no seu mar de nostalgias, de associações malucas.
Relaxa- ela pensava.
Mas não, há essa hora as noias já estavam deletadas.
Ela ouvia Rita Lee dizer para alguém se mandar no seu rádio, gente mal a gente trata com desdém, 'se manca' Rita cantava.
Pois bem, bastou isso para Maria começar a associar as suas mais profundas associações.
Gente mal?
Maria não conseguia se lembrar de qualquer pessoa realmente má que tivesse conhecido, ouvido falar sim, mas conhecido, nunca.
Para ser bem sincera, no mais profundo universo que Maria navegava agora, ela confessava para sua amiga de pano que sentia que ela mesmo poderia ser uma pessoa má.
Sim, gente mal.
Por mais que Maria muitas vezes se escondesse por debaixo de qualquer atalho que a deixasse longe da visão alheia, ela não poderia negar.
Ali pra sua amiga de olho torto não. Não naquele universo que já se encontrava, onde nada é vergonha.
Por que esconderia? Pra que?
As pessoas temem muito - pensava Maria - ali sentada com sua Emília, Maria não temia nada.
Se sentia segura.
Lá sim, depois de passar por aquela porta, nada mais era problema, tudo era tranquilo, amigo.
Sentindo assim, Maria só teve vontade de abaixar a luz e descansar com Emília dessa viagem que juntas fizeram.
E assim foi, a menina se esticou agarrando a cintura de sua boneca, sentindo o cheiro da companhia que lhe agradava e da lã que já estava velha.
Estava tranquila, sabia que naquele mundo não tinha que se preocupar de maneira alguma em ser compreendida.
Agora já com Lulina ao fundo, Maria se sentia livre e prazeroza em afundar em si mesmo, tudo era calmaria.
Nua, limpa e jovem a garota acabara então por dar uma ultima acariciada em seus pés com eles mesmos para assim continuar a navegar pelos seus mares, até que a tempestade do amanhã a trouxesse o medo de cair de seu barco.
Toda noite, Maria sentava em sua cama para ter sua conversa diária com a companheira de pano. Com um som que lhe agradava ao fundo, Maria contava os fios do bonito cabelo de lã de sua amiga caolha, um acidente com um brutamontes de quatro patas, mas isso não vem ao caso.
A moça, de pés e mãos já lavadas, entrava nesse novo mundo que lhe abria as portas ali, agora com o cair da noite. Os sonhos eram muitos, e nem Maria ou nem mesmo a pequena caolha conseguiam entrar num consenso sobre qual seria o escolhido da noite. Cercada por um padeiro, desenhos, cartões fotográficos colecionados e uma família de cangurus pelados, a confusa garota só sabia mergulhar no seu mar de nostalgias, de associações malucas.
Relaxa- ela pensava.
Mas não, há essa hora as noias já estavam deletadas.
Ela ouvia Rita Lee dizer para alguém se mandar no seu rádio, gente mal a gente trata com desdém, 'se manca' Rita cantava.
Pois bem, bastou isso para Maria começar a associar as suas mais profundas associações.
Gente mal?
Maria não conseguia se lembrar de qualquer pessoa realmente má que tivesse conhecido, ouvido falar sim, mas conhecido, nunca.
Para ser bem sincera, no mais profundo universo que Maria navegava agora, ela confessava para sua amiga de pano que sentia que ela mesmo poderia ser uma pessoa má.
Sim, gente mal.
Por mais que Maria muitas vezes se escondesse por debaixo de qualquer atalho que a deixasse longe da visão alheia, ela não poderia negar.
Ali pra sua amiga de olho torto não. Não naquele universo que já se encontrava, onde nada é vergonha.
Por que esconderia? Pra que?
As pessoas temem muito - pensava Maria - ali sentada com sua Emília, Maria não temia nada.
Se sentia segura.
Lá sim, depois de passar por aquela porta, nada mais era problema, tudo era tranquilo, amigo.
Sentindo assim, Maria só teve vontade de abaixar a luz e descansar com Emília dessa viagem que juntas fizeram.
E assim foi, a menina se esticou agarrando a cintura de sua boneca, sentindo o cheiro da companhia que lhe agradava e da lã que já estava velha.
Estava tranquila, sabia que naquele mundo não tinha que se preocupar de maneira alguma em ser compreendida.
Agora já com Lulina ao fundo, Maria se sentia livre e prazeroza em afundar em si mesmo, tudo era calmaria.
Nua, limpa e jovem a garota acabara então por dar uma ultima acariciada em seus pés com eles mesmos para assim continuar a navegar pelos seus mares, até que a tempestade do amanhã a trouxesse o medo de cair de seu barco.
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