segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Caminhas sozinha, enquanto tecem as folhas da natureza




Caminhar contente, alegre, andar como se visse o sol pela primeira vez quando raia o dia.
Pareço contente, mesmo aparentando tão descontente.

Meus olhos de jabuticaba já me parecem cansados.
Meus ouvidos já estão sensíveis até mesmo ao barulho do rangi de dentes.

Não sei se é velhice.
Tenho apenas vinte anos e já reclamo de tanto.
Reclamar para quê? De quem? Para quem?
Estas perguntas hoje para mim já não cedem nenhuma resposta.

Por um lado isto pode vir a me tranquilizar,
esta sensação me volta o vazio que eu sei que é tão necessário para que eu tenha uma vida saudável.

No mesmo, me lembro de ainda criança. Como era carinhosa, manhosa, atenciosa.
No que tudo isto se transformou?
Transformou-se em alguém amargurado.
Erro quando digo 'alguém', pois este alguém sou eu. Mas quanto à amargura, esta eu não erro não.
Esta busca pelo 'amor', pelo drama de novela, pelo vampirismo, isto tudo já não me cessa. E agora?
Sei o que não me é bom, mas ainda não consigo me depreender.

Me prendo até nos nomes.
Me prendo na necessidade de relacionar uma pessoa à outra...
Tudo isto para conseguir esquecer de mim mesma.
Conseguir esquecer as escolhas erradas acabaram por me fazer esquecer um pouco da minha própria meninice.

Hoje 'organizei' certas lembranças.
Como disse, gosto de me apegar afectivamente,
também por isto tenho uma caixa onde guardo as coisas mais absurdas, até as mais óbvias que me lembram ou me remetem certos momentos/pessoas.

Vi como, mesmo nos passeios da escola, já gostava de fotografias.
Fotografias para mim, e imagino que não só, são momentos congelados.
Momentos mágicos pois são captados de um só lugar e paralisados em um só momento.

Tirava foto de tudo!
Nestas viagens com a escola, fotografava a turma da frente, a 'turma da bagunça'- que ficava mais pro fim do ónibus- e, até mesmo, a saída de emergência que fica no teto deste mesmo onibus.

Quanto apego! risos
E hoje vi que, nesta mesma linha, comecei a querer me mostrar/mostrar pros outros, aquilo que eu mesma conseguia ver pelos olhos jabuticabas.
Que luta em vão!
E ainda uma luta de fracasso, pois não há porquê lutar por olhos iguais.

Agora, aprendo a olhar sozinha.
Deixar que os olhos nem ao menos transpareçam o que eles vêem.
Um pouco como a nossa querida personagem Amelie.
Não sou como ela, nem quero ser. Quero ser eu, mas sem este encantamento que esta me fazendo mal.

Por só, eu sei que não sou apenas este "ser amargurado"
Ver as minhas lembranças naquela caixa, me fez perceber como eu gosto de quem sou.
Quer dizer, se me conhecesse eu iria me querer por perto! risos e mais risos

Estou parecendo um livro de auto-ajuda, então vou terminar com uma frasezinha minha mesmo


O melhor encantamento é aquele que por mais que visível aos olhos é distante do próximo.-De quem esta aprendendo a se apaixonar por si e só

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